meses se passaram sem que eu te visse,
o telefone tocou mas não era você,
bateram à porta e não era você,
nenhuma notícia sequer.
essa manhã bateram à porta,
era você.
um silêncio doloroso de alguém
que nunca soube o que dizer
pairou sobre o ar.
sua presença me desnorteia,
me tira o chão,
o teto,
a alma.
teus carinhos interesseiros
corroem-me,
você já arrancou tudo que existiu em mim,
cada vez que me deparo com a tua
imagem fria e perversa
morro mais um pouco.
você ao menos sente muito?
ao menos reconhece que falhou no seu papel?
queria ter forças para te mandar ir à merda,
minha querida mãe.
passei a vida tentando fugir de tudo
que me fizesse parecer você,
espero que os anos de solitárias
noites em prantos tenham valido a pena.
não queria que doesse tanto,
não queria que você me afetasse desse jeito,
mas é provável que você sempre seja o meu pesadelo
mais horrendo,
a lembrança que mais me dói.
conheço suas desculpas,
suas justificativas nunca
foram o suficiente
para mim,
é difícil acreditar em alguém
que te abandonou.
não há mais o que fazer,
o que eu podia ter feito
já fiz.
então,
adeus.
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